Encontrei este artigo jogado num canto do meu computador e resolvi compartilhar com os amigos.
Acabei de ler: Olhai os lírios do campo (título baseado no Sermão da Montanha) de Erico Veríssimo – uma leitura boa, agradável, que me trouxe muito prazer. Essa narrativa que foi o primeiro grande sucesso do escritor, ambientado em Porto Alegre, no final da década de 30 – uma época de romantismo, elegância... E, porque não: outros costumes. Época essa que não tinha muitos dos objetos indispensáveis nos dias de hoje, como: computador, celular, tablets, e etc. E outros artigos de luxo como: carro, geladeira, universidade acessíveis... Outro tempo, outros costumes... Mas, o que chamou atenção desse leitor foi que os valores são os mesmo. Sendo assim, os costumes mudam, entretanto, os valores que realmente importam permanecem.
Naquele tempo o cigarro era um charme; e todas, simplesmente todas as personagens importante do livro fumavam. Fumavam em todos os lugares, em todas as circunstâncias – das situações mais triviais, como: uma conversa entre amigos; até numa ocasião formal, como em uma reunião de negócio, uma consulta médica. Ou seja, cigarro era aceito em qualquer ambiente.
Que contraste atual, pois quando observamos uma pessoa acender um cigarro olhamos torto. Empresas selecionam seus funcionários por este hábito. Bares são proibidos, por Lei, de deixarem seus clientes fumarem.
Também, não sacrificamos ninguém por perder a virgindade, mesmo que está ainda é vista como um produto de santidade, pureza... Mesmo assim, não recriminamos moças que não sejam mais virgens. Nem a gravidez fora do casamento é algo assustador e abominável, mesmo tendo muitos preconceitos e olhos tortos para tais situações. Mas, em suma, a sociedade aceita e acolhem estas mulheres. Ainda bem, pois não precisamos massacrar uma pessoa por um ato, às vezes impensado. Nem sentenciar uma pessoa por um erro do passado. Estas mulheres, hoje, podem ter uma vida digna.
Quero nesse momento deixar de lado os valores cristãos, mesmo sabendo que são importantes para qualquer sociedade – quero somente salientar os valores sociais, que retiravam o direito do arrependimento. Este fundamental no contexto cristão.
E os edifícios, que autor mostra como um vilão da cidade. Mostra muitas vezes como uma “coisa” que muda as características da cidade, totalmente fora da convivência com outras construções, uma extravagância de um empreendedor. Coisa de rico! Excentricidade! Que nunca seria uma necessidade atual, onde as cidades teriam que amontoar seus moradores?!
O tempo. Observo que as pessoas tinham tempo para os amigos, familiares, e principalmente para os filhos. Naquele tempo, os pais trabalhavam perto de casa – fazendo suas refeições em casa. Que beleza, hein?
Mas, tem coisas que não muda – a corrida desenfreada por dinheiro, status... Poder. E para competir nesta corrida sem fim sacrificamos amigos, saúde, e o mais importante: a família. Não faço um discurso franciscano, de voto de pobreza, mas sim do discurso do equilíbrio, do retorno aos valores que realmente importam.
Estes valores, o da família, estes não mudam. Podem até estar deformado e desestruturado, mas em sua essência não mudou. Meus votos é que a sociedade atual perceba estes valores, como o Eugênio, personagem do livro – que num certo ponto da vida descobriu os lírios dos campos; e a partir desse momento descobriu uma alegria de viver, uma alegria em pequenos acontecimentos da vida...
Esta alegria que mudou sua vida. O personagem simplesmente aprendeu a viver.
Falando em Lírios não esqueçam do lançamento do Enfim... Primavera, que será no dia 19/04 às 19 horas no Adamastor.
Abraços!